quarta-feira, 26 de agosto de 2015

"É Professor..." a Opinião de Santana Castilho

" Para os pais que não são professores, isto pode ser difícil de entender

É real e de conhecimento pessoal. Tem 53 anos, 26 de profissão a que se entregou com amor, hoje cansado. Estava efectivo a 160 quilómetros diários (80 para lá e 80 para cá) da casa onde vive com duas filhas. Concorreu para mudança de quadro de escola, para se aproximar da residência. Conseguiu colocação numa escola 40 quilómetros mais perto (20 para lá e 20 para cá). Dois dias depois, o absurdo caiu-lhe em cima: a escola onde o colocaram não tem horário para ele. Alma angustiada, empurraram-no para a dança macabra da “mobilidade por ausência de componente lectiva”, que pode terminar em “requalificação” e despedimento.
Está apresentado. É um dos muitos, com vidas adiadas. Algumas, para sempre! É professor.
Daqui a dias vai falar-se, muito, do costume: das crianças que voltam às aulas, do que os pais gastaram para lá as pôr e das escolas que ainda não abriram. Não se falará, certamente, da situação profissional dos professores.
São muitos os estudos que têm procurado estabelecer o impacto das condições de trabalho na saúde física e mental dos profissionais. Esse impacto, em organizações humanamente evoluídas, é também assumido como um dos indicadores determinantes do grau de eficácia das organizações. Claro está que não estou a falar do nosso ministério da Educação, para quem pouco importa que cresçam exponencialmente os níveis de ansiedade dos professores e diminuam os que medem a motivação profissional. É outra a eficácia que atrai o interesse do ministério.
O stress ocupacional crónico (desequilíbrio entre as exigências e a capacidade de lhes responder) está genericamente presente na classe dos professores e pode originar o chamado burnout, entendido como um estádio continuado de fadiga física e psicológica. Sendo um problema das pessoas, é, antes, um problema do clima social criado e das organizações para as quais as pessoas trabalham.
Um pouco por toda a parte, é a insuspeita OCDE que o diz, os professores apresentam índices de mal-estar superiores, quando comparados com outros profissionais. A Organização Internacional do Trabalho classificou a profissão como de risco físico e mental e os que lidam de perto com os professores portugueses identificam níveis consideráveis de exaustão emocional, face ao aumento de situações problemáticas e desagradáveis, designadamente impotência para reagir e resolver perturbações de comportamento por parte dos alunos, e conflitos importantes de compatibilização da vida profissional com a vida pessoal e familiar.
Há dias, noticiava-se num telejornal que os médicos do hospital de Faro estavam exaustos. Motivo? O aumento sazonal da população estava a obrigá-los a 48 horas de “banco” por semana. É fácil avaliar o nível de responsabilidade que se abate sobre um médico, particularmente em serviço de urgências. Não é difícil admitir que os médicos têm limites humanos e que tal stress imposto diminui, forçosamente, a capacidade para responderem ao que lhes é pedido. Se, genericamente, não terei dificuldade em ganhar apoiantes para o que acabo de afirmar, o mesmo não direi quando a reflexão analisa os níveis de responsabilidade, stress e carga de trabalho a que os professores estão sujeitos.
As referências habituais à carga de trabalho dos professores raramente procuram perceber a influência que ela pode ter na qualidade das aprendizagens dos alunos e no contributo que dá (ou não dá) para o seu processo de desenvolvimento humano. Outrossim, quase sempre se centram em comparações injustas e descabidas, a maior parte das vezes movidas por essa chaga que é a inveja social. E por aqui chego ao que deu título à crónica de hoje. Estava no blog de Diana Ravitch, que muitos professores conhecerão. Não sei eu, nem sabe ela, quem foi o autor. Mas é uma bela proposta. Pode ser que muitos pais portugueses a aceitem, quando em breve voltarem a levar os filhos à escola. Reza assim, em tradução livre:
“Cinco dias por semana, ensinamos os vossos filhos./Significa isso que os educamos./ Que brincamos com eles./ Que os disciplinamos./Que nos divertimos com eles./ Que os consolamos./ Que os elogiamos./ Que os questionamos./Que batemos com a cabeça na parede por causa deles./ Que rimos com eles./ Que nos preocupamos com eles./ Que tomamos conta deles./ Que sabemos coisas deles./ Que investimos neles./ Que os protegemos./ Que os amamos./Todos nos deixaríamos matar pelos vossos filhos./Não está escrito em lado nenhum./ Não faz parte do manual do professor./ Não vem citado nos nossos contratos./ Mas todos o faríamos.
Por isso, por favor, hoje à noite, dêem aos vossos filhos, sim, um abraço muito, muito apertado.
Mas na segunda-feira, se virem os professores dos vossos filhos, abracem-nos também a eles.”
In "Público" de 26/8/15

sábado, 22 de agosto de 2015

Leituras em dia... "1415 - A Conquista de Ceuta"

A propósito dos 600 anos da conquista de Ceuta pelas tropas portuguesas de D. João I ( de Avis), aconselhamos a leitura da obra de João Gouveia Monteiro e António Martins Costa , " 1415 - A Conquista de Ceuta".
A 21 de agosto de 1415, trinta anos depois do triunfo em Aljubarrota, os portugueses, novamente liderados por D. João I, conquistaram a primeira praça portuguesa no Norte de África. Seis séculos passados sobre a tomada de Ceuta, os historiadores João Gouveia Monteiro e António Martins da Costa trazem-nos uma reconstituição empolgante desta operação militar, pela voz de quem a viveu e relatou. Ao longo destas páginas, somos conduzidos por Gomes Eanes de Zurara, autor da Crónica da Tomada de Ceuta, pelo alferes-mor do rei, João Gomes da Silva (uma das figuras mais importantes da primeira corte avisina e uma testemunha presencial da expedição) e ainda pelo olhar de uma terceira personagem: o Infante D. Henrique, informador privilegiado de Zurara, seu amigo pessoal e, sem dúvida, o principal herói da Crónica da Tomada de Ceuta. A partir das recordações destes três homens, acompanhamos a concentração da armada no Restelo, a 24 de julho de 1415, o período do cerco e da tomada da praça, vivemos as suas dificuldades, os seus receios, até à data do regresso da frota ao Algarve, já em setembro do mesmo ano, consumada que estava a conquista e decidida que fora, pelo rei, a manutenção da praça africana. Aqui se fala – recorrendo a uma centena de documentos, a mapas, a desenhos e a fotografias – de guerra e de grandes heróis, mas também de ambições de paz e do contributo de muita gente anónima para conservar aquela que foi, durante mais de quatro décadas, a única possessão ultramarina portuguesa."(sinopse)

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Roteiros da Liberdade... em fotografia


Após a realização da visita "Roteiros da Liberdade" e com a colaboração de Júlio Borges, Renata Palhares, Mariana Batista e Manuela Paredes, apresentamos o documentário fotográfico "Roteiros da Liberdade".
Neste documentário, contamos a história desta visita de 2 dias aos locais emblemáticos da revolução dos Cravos (Forte de Peniche, Posto de Comando da Pontinha, Terreiro do Paço, Ribeira das Naus, Rua do Arsenal, Rua António Maria Cardoso e Quartel do Carmo), acompanhados por membros da A25A e "operacionais" do MFA.

Para veres esta publicação, segue o "link" (imagem).

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Leituras em dia com... " Os bebés de Auschwitz"

O livro "Os Bebés de Auschwitz" -Editora Vogais - relata pela primeira vez os três únicos casos conhecidos de mulheres grávidas que tiveram filhos nos campos da morte nazis e que sobreviveram ao Holocausto.
A investigação da jornalista britânica Wendy Holden retrata a vida de três mulheres, Priska Lowenbeinová e Anka Nathanová, da Checoslováquia, e Rachel Abramczyk, da Polónia, capturadas grávidas pelos nazis e enviadas para o complexo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, com os maridos, que não sobreviveram. As três mulheres, que não se conheciam, foram, como milhares, interrogadas diretamente por Joseph Mengele, conhecido como "o anjo da morte" e que selecionava os prisioneiros para experiências médicas.
O livro relata com detalhe a vida das três mulheres antes da guerra, os episódios de infância, os casamentos, o momento em que são presas - com poucos meses de gravidez - e as condições desumanas a que são sujeitas em Auschwitz e na fábrica de trabalho forçado na Alemanha. 
Nenhuma delas conhecia as outras mães tendo sido Eva Clarke, filha de Anka, residente no Reino Unido depois da guerra quem relatou à jornalista a existência dos outros dois "bebés de Auschwitz".
"Tem muita relevância contar o que se passou porque hoje em dia, por todo o mundo as pessoas são perseguidas, assassinadas, deslocadas à força por causa da vontade de quem manda e da arrogância. Não nos esqueçamos que a escravidão está presente no nosso mundo atual. A todo o momento pessoas subjugam outras pessoas só porque pensam que têm o direito de o fazer e, por isso, nunca é tarde para fazer lembrar que isto é o que pode acontecer", conclui Wendy Holden.

domingo, 9 de agosto de 2015

70 anos depois... recordar Nagasaki


9 de Agosto de 1945

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Hiroshima... 70 anos após



Tendo por pano de fundo imagens de Hiroshima em Agosto de 1945 e da actual, com o Memorial da Paz,  recordamos hoje  a primeira detonação de uma bomba nuclear. Foi na cidade japonesa de Hiroshima, a 6 de Agosto de 1945, na fase final da 2ª Guerra Mundial.
Entre 70 mil e 80 mil pessoas, cerca de 30% dos residentes da cidade, morreram na explosão e consequente onda de choque e 70 mil ficaram feridas.